sábado, 29 de dezembro de 2012

[Resenha] Stephanie Perkins - Lola e o Garoto da Casa ao Lado

A síntese de um bom conto lirico moderno.
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Este ano foi de grandes leituras para mim – poucas, mas boas. Li o final de séries que acompanhei, a descobertas de novos autores incríveis e histórias ainda melhores conjecturam esse quadro, porém algo ainda não parecia correto. Não pude dar a devida importância à Editora Novo Conceito ao longo desses 12 meses e apesar das pessoas ao meu redor se beneficiarem dos livros que recebi – vide as resenhas interativas -, não li uma obra sequer de nossa parceira e como estou em uma fase literária tranquila e por que não, light, resolvi me deliciar com romances rápidos, fáceis e bem humorados, ou algo perto disso. O escolhido para começar essa proposta e terminar o ano no blog foi “Lola e o Garoto da Casa ao Lado”.

Lola Nolan é uma designer-revelação que não acredita em moda… Ela acredita em trajes. Quanto mais expressiva for a roupa — mais brilhante, mais divertida, mais selvagem — melhor. Mas apesar do estilo ultrajante, é uma amiga e filha dedicada com grandes planos para o futuro. E tudo está muito perfeito (até mesmo com seu namorado Max, um roqueiro boa-pinta) até os gêmeos Bell; Calliope e Cricket, voltarem ao seu bairro. Quando Cricket — um inventor habilidoso — sai da sombra de sua irmã gêmea e volta para a vida de Lola, ela finalmente precisa conciliar uma vida de sentimentos pelo garoto da casa ao lado.
No entanto, apesar de não serem capazes de enxergar isso agora, eles não são idiotas. Lidam com Max porque acham que, se me proibissem de vê-lo, nós simplesmente fugiríamos juntos. Eu me mudaria para o apartamento dele e descolaria um trabalho dançando nua em boates ou vendendo LSD.
Muito ouvi e li sobre o best-seller anterior da autora, “Anna e o Beijo Francês”, famigerado e resenhado até hoje pela blogosfera afora, contudo não havia dado a chance de Stephanie me conquistar com sua escrita espirituosa, leve e emotiva ao mesmo tempo. Ela consegue passar tudo que precisa em pouquíssimas linhas, um talento um tanto raro hoje em dia, em que muitos escritores se perdem nas descrições e eloquências de seus textos. A linguagem empregada é atual e rápida e embora a narrativa não seja exatamente estimulante — carma da maioria dos romances –  conquista por essa habilidade de apresentar os personagens e o enredo sem dificuldade e tão agilmente. Se torna fácil acreditar no que ela conta.
- O que achou do show? - Ele teve que elevar o tom de voz para superar os Ramones, que tinham começado a explodir das caixas de som.
- Vocês são ótimos - gritei. - Nunca vi sua banda antes. [...]
- Eu sei. Teria reparado em você. Tem namorado, Lola?
Joey Ramone reverberava atrás dele. Hey, little girl. I wanna be your boyfriend.
Lola é cativante e irresistivelmente divertida, com suas perucas, vestimentas exóticas e uma vida mais extravagante ainda. É o tipo de personagem que, ao final da narrativa, desejamos ter ao nosso lado como amigo. Os outros são claros em sua essência, portanto conseguimos captar suas características e jeitos de ser, e todos destacam-se de uma maneira diferente, de modo que nenhum passe despercebido pelo leitor ou não cumpra funcionalmente seu papel na trama. Logo é inviável não torcer pelo casal principal, construído incólume a fim de que o leitor notasse essa conexão, essa predisposição de ambos serem feitos um para o outro. Uma atração natural e gostosa de acompanhar, porém nada utópica, com seus problemas e desventuras no caminho de dar certo.
- Cricket... eu tenho namorado.
- Eu sei. Isso é um saco. [...] Sinto muito [...] Mandei mal dizendo isso?
- Não.
A duração variada e desprovida de padrões dos capítulos permite que a história se desenvolva ao seu próprio tempo, onde não foram organizados simetricamente e sim como trabalhariam melhor em prol da história. Falando nisso, outro fator muito bem empregado na obra foi a utilização das primeiras linhas do texto como sinopse de contracapa. Isso atenuou a competência de Perkins em agregar o suficiente em uma quantidade pequena de palavras, pois somente com esse trecho já conhecemos o suficiente da protagonista e do que o enredo poderá nos oferecer durante a leitura.
- Então, porque ele fez isso? [...]
- Pela mesma razão que todo mundo comete erros. Ele se apaixonou.
O enredo nos prende por sua facilidade de compreensão; a combinação do romance crível com humor, apesar de uma certa banalização no vocabulário dos diálogos, incluindo palavrões. Isso não chega a me incomodar por passar essa exata realidade dos dias atuais, entretanto ainda não posso afirmar estar 100% acostumado. A diagramação é simples com capa lisa e folhas resistentes e maleáveis. A foto com o casal protagonista não me incomoda tanto e é comum nos livros da editora, porém acredito que não seja motivo de reclamação quando o argumento é de limitação da imaginação dos personagens, como se vissem a capa e fossem ler o conteúdo do livro e não pudessem formular outra aparência para o casal além do da foto. Querido(a) leitor(a), a imaginação só é prazerosa por uma razão: ela não tem limites.
Tristeza. Desejo. Uma dor dentro de mim, tão forte que não sei como acreditei que ela já tinha me deixado. Olho sua nuca e é como se o oxigênio tivesse desaparecido de meu quarto. Meu coração transborda de emoções. Estou me afogando.
“Lola” é um conto lírico contemporâneo de arranjo criativo, narrativa cômica e uma obra para ler despreocupado. Stephanie Perkins se autoconfirma não como uma romancista moderna, mas como uma criadora de enredos cativantes que nos fazem acompanhar o que quer que ela escreva do começo ao fim. E você que leu e gostou de “Anna” pode contar com uma surpresa bacana também; eu que não o li apreciei bastante. Espero que o leiam em um momento como esse em que me encontro: onde a leitura precisa ser um entretenimento e só, do contrário, enlouqueceria de tantas emoções literárias. Aproveitem!
Eu me visto com uma fúria que há anos não sentia. Acho no fundo do closet um vestido preto transparente, do qual nunca gostei, e rasgo a barra, deixando-o mais curto. Maquiagem laranja e amarela. Peruca vermelha. Botas com cadarço até os joelhos.
Esta noite, sou fogo.
Título: Lola e o Garoto da Casa ao Lado.
Autora: Stephanie Perkins.
Editora: Novo Conceito.
Número de Páginas: 288.
Tradução: Robson Falchetti Peixoto.

Obs.: Mais um ano que se encerra e vocês continuam aqui comigo, mesmo com as adversidades. Obrigado pela companhia e pelo apoio – acreditem, é essencial, estou cogitando terminar as atividades do LLM há um bom tempo e são coisas assim que me fazem seguir em frente. Felicitem uns aos outros nesse ano novo, comam bastante, leiam coisas boas, estejam com suas famílias, não esqueçam daqui e voltem sempre. Aguardo vocês no ano que vem em mais uma temporada de uma dúzia de meses de “vamos ver no que vai dar”. Pelo menos vai ter Bienal.

7 comentários:

  1. Adorei esse livro. Achei super divertido, leve e fofo.

    Beijinhos,

    Thais Priscilla

    http://thaypriscilla.blogspot.com

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  2. Leeh - Hangover at 1629 de dezembro de 2012 19:43

    Aaaai, eu tô louca pra ler esse livro <3 Me encaixo na categoria "Leu-Anna-E-Quer-Ler-Lola" UUHAUHA Fico feliz que você tenha gostado e, acredite, pelo que você falou, Anna é no mesmo estilo de Lola. Então, se tiver a oportunidade, leia!
    Gostei da resenha, e não desista! Continue assim, deixando suas leituras gostosas e sem esse quê de obrigação :D

    Bjs

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  3. Aaaaah... *-* Que bom que você gostou! Hahahaha ... É realmente uma delícia esse livro, desses pra ler mesmo pra descansar!
    Eu nunca vou me cansar de dizer o quanto admiro suas resenhas, hauehauhe. Você analisa tão bens os livros, fala de coisas que eu nunca pensei! Queria ter essa facilidade *-* Awn. Será um grande jornalista Caíque <3.
    Agora que leu Lola, é uma obrigação ler Anna! aoieuaoeiuoaieu. É igualmente delicioso e se passa em PARIS! s2' Sobre a Capa de Lola, não adianta, eu vou me incomodar seeeempre com personagens diretamente assim, tanto que vi aqueles dois o tempo todo ): Só que o Crickett tinha um Q de Andrew Garfield pra mim, kkkkk.

    Beijos, Nanda
    Julgue pela Capa

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  4. Sabia que o Cricket me lembrava alguém, só não ligava o nome à pessoa xD
    Obrigado pelos elogios, você não tem ideia do quanto eles me deixam sem graça, mas lisonjeado, rs. Um beijo e obrigado também pelo comentário (:

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  5. Pretendo ler "Anna" depois de experienciar "Lola", um dia no futuro xD Obrigado pelo incentivo, vocês são demais. Um beijo e obrigado também por comentar =)

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  6. Não é? Ótima leitura estilo "sessão da tarde" :D

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  7. Estou louca para ler este livro! :)
    Muito boa esta resenha...

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