quinta-feira, 26 de julho de 2012

[Resenha] Rick Riordan - As Crônicas dos Kane #1: A Pirâmide Vermelha

Rick Riordan e boa mitologia nunca são demais.

A Pirâmide VermelhaSinopse: Desde a morte de sua mãe, Carter e Sadie têm ficado perto de estranhos. Enquanto Sadie vive com os seus avós em Londres, seu irmão tem viajado o mundo com seu pai, o egiptólogo brilhante, Dr. Julius Kane. Uma noite, o Dr. Kane traz os irmãos para uma experiência de “pesquisa” no Museu Britânico, onde ele espera acertar as coisas com sua família. Ao contrário, ele liberta o deus egípcio Set, que expulsa-o ao esquecimento e força as crianças a fugir para salvar suas vidas. Logo, Sadie e Carter descobrem que os deuses do Egito estão acordando e, o pior deles – Set – tem vigiado os Kanes. Para detê-lo, os irmãos embarcam em uma perigosa viagem em todo o mundo – uma busca que os traz cada vez mais perto da verdade sobre sua família e seus vínculos com uma ordem secreta que existiu desde o tempo dos faraós.

De qualquer maneira, passei a respeitar aquela bolsa. Era nosso amuleto da sorte. E quando papai a mantinha por perto, significava que íamos mesmo precisar de sorte.
Adquiri meu exemplar de 'A Pirâmide Vermelha' na Bienal do Livro do Rio de Janeiro do ano passado - por um preço bem favorável digno de queima de estoque da Saraiva - e desde então ele permaneceu intocável em minha estante. Desde então, aconselhei muitos amigos e colegas a lerem Rick Riordan, pois minha experiência com Percy Jackson sempre foi muito positiva e é meu dever como semideus trazer mais e mais pessoas para o lado "laranja" da força. Admito reter um certo receio de ler esta nova obra, apesar de Rick já ter demonstrado em seis livros lidos que não há como resistir à sua escrita. Mas... Mitologia Egípcia? Será? Pois então, é.
- Então não se pode morar em Manhattan? [...]
Amós franziu a testa e olhou para o Empire State.
- Manhattan tem outros problemas. Outros deuses. É melhor mantermos tudo separado.
- Outros o quê?  [...]
- Nada.
Ainda no início, não estava convencido dos elogios que margeiam a obra entre os fãs do autor. Apesar de já estar acostumado à múltipla narração, trata-se de um jeito muito particular de tratar o enredo, contrabalanceando o suficiente do quanto queremos e precisamos conhecer dos protagonistas e o quanto da história deve ocorrer. Provavelmente essa estranheza deve-se ao fato do autor permear bastante até nos dar uma explicação convicta do que está acontecendo, deixando praticamente todas as questões a serem resolvidas ao final. Essa agonia por explicações, muito presente em seus livros, acaba sendo uma faca de dois gumes, pois prende e importuna quem lê. Logo, muitos momentos perlongam mais do que o necessário ou nem ao menos parecem necessários.
[...] Papiro. Eu me lembrei de meu pai explicando como os egípcios produziam o papiro com uma planta da ribeirinha, porque eles não inventaram o papel. Aquela coisa era tão grossa e áspera que me fazia pensar nos pobres egípcios que precisavam usar papiro higiênico. Pensando nisso, dá para entender porque eles andavam de lado.
O fato das séries literárias de Riordan quase sempre envolverem história -  sendo essa muito bem trabalhada - torna a história muito mais excitante. Juntamente com os mais fervorosos, comparamos tudo que lemos com o que temos acesso, e percebemos que Rick fora o mais fiel possível com aquilo que tomou como base. O cuidado com o leitor, de não só haver um profundo estudo por trás das passagens, contudo, também com a qualidade da obra que destaca muito mais originalidade que técnica editorial cativa desde os primeiros capítulos, tanto para quem já conhece, como os já fãs do "tio Rick".
- Morram, inimigos de Rá! - gritou Sekhemet - Pereçam em agonia!
- Ela é quase tão irritante quanto você - eu disse a Hórus.
- Impossível - disse ele - Ninguém é mais irritante que Hórus.
Os personagens saltam aos olhos e marcam o texto, como sempre bem estruturados, ao ponto da realidade que passam ao narrar - tanto Sadie quanto Carter - autentificarem todo o livro, elevando o teor realístico. Ao rarear essa tênue faixa entre o utópico e a realidade, o escritor nos captura em uma imersão em seu mundo sem fundo, onde pouco é inacreditável e a aceitabilidade do enredo é tremenda. Não há esforço algum para mergulharmos entre as linhas de "A Pirâmide Vermelha", a atração supera qualquer vontade de parar de ler.
- [...] É preciso força e coragem para dizer a verdade.
A personificação de deuses, deusas, monstros e afins são uma característica tão bela da narrativa de Riordan que se põe no holofote ao primeiro momento possível. Com seu humor característico, não apela ao clichê e é cheio de inteligente ironia, seja na fala dos personagens ou mesmo na narração impede o tédio, assim como a pouca quantidade de trechos onde não há ação. Há bastante conectividade entre os fatos, que se sucedem de forma ágil e temos a noção de estar realmente transitando pelo tempo. As referências e topônimos aumentaram ligeiramente comparado à 'Percy Jackson e os Olimpianos', o que não interfere em nada. É uma verdadeira viagem, do Egito ao Brooklyn, de Londres a Paris, de Phoenix ao Central Park; é esse tipo de experiência que ler Rick Riordan reserva.
Eu realmente adoro reuniões de família. Muito aconchegantes, com as guirlandas de Natal emoldurando a lareira, um delicioso bule de chá e um detetive da Scotland Yard pronto para prender você.
Quem lê sabe o quanto é complicado falar sobre um livro que lhe conquistou e contra isso não há solução, porém, se alguém descobrir, sou todo ouvidos. Nesses casos, simplesmente tente e surpreenda-se. A trama segue a linha do nível esperado, também inovando ao agregar muito mais onde a Mitologia Grega possuía impasses. A edição da Intrínseca mantém a capa original, um deleite de trabalho de Sean O'Kelly, com hieróglifos e outras partes envernizados, páginas pólen soft bem resistentes, semelhantemente das capa e a contra-capa. Um ótimo exemplo de diagramação bem feita.
- Não quero assustar você.
- Tarde demais.
Independente da obra, em todas as minhas indicações "rickriordanianas", recomendo para quem já conhece ou não a escrita do autor; é uma indispensável experiência literária. A fórmula perigosa e complexa de entreter e, simultaneamente ensinar é viciante, já que a quantidade de informações a serem acumuladas inconscientemente a respeito dos mitos egípcios é grande. Nenhuma resenha, aqui ou em outro lugar, poderá lhe aproximar o suficiente da interessante e diferente sensação que é ler este livro, por isso, leia a fim de saber. Antes que Tot lhe peça para redigir uma nova monografia de pós-graduação.
- Espere. E se houver armadilhas? [...]
- Armadilhas?
- As tumbas dos egípcios não tinham armadilhas?
- Bem... Às vezes. Mas não estamos em uma tumba. Além do mais, é mais comum que existam maldições, como a do fogo, a do burro...
- Ah, maravilha! Isso soa bem melhor.

Título: As Crônicas dos Kane #1: A Pirâmide Vermelha.
Autora: Rick Riordan.
Editora: Intrínseca.
Número de Páginas: 448.

8 comentários:

  1. Estou com este livro em casa para ler. Não vejo a hora.
    Bjs, Rose.

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    1. Aproveite e leia logo, Rose, não perca tempo de imergir na narrativa de Sadie e Carter! Ótima leitura e um beijão procê [=

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  2. Que resenha apaixonada!! ;)
    Comecei com fantasia com Rei Arthur do Massie e já tenho os 3 do Cornwell aqui, para ler.
    Romance histórico, amooo, mas fantasia leio poucos...

    Mas, confesso que esse autor estou muuuuuiiito curiosa em ler, por conta de opiniões como a sua. Desse imenso prazer que quem já leu tem pela escrita do autor.
    Quero e vou dar uma chance, mas sei o que vou fazer, tenho de comprar, porque estando aqui certamente lerei.

    Tem mais uma coisa amo mitologia grega, não sei porque ainda não li Percy Jackson...

    Abç
    e boas leituras

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    1. Falam tanto de Cornwell que desejo muito lê-lo, talvez depois de 'A Song of Ice and Fire', seja minha leitura épica da vez, rsrs. Pode ler Rick Riordan, seja qual for a saga, ele conquista! Obrigado por comentar, um abraço e ótimas leituras para você também (;

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  3. Oi Caíqueeeee! Como sempre... resenhas impecáveis s2~
    Eu estou COMEÇANDO (não se anime muito) a ler Herói Perdido nas horas vagas quando o Gabriel se esquece de mim na casa dele e tipo, tenho gostado muito mesmo *-* Amei esse humor que você disse dele, inteligente e ironico, é o melhor com certeza, haha'. As crônicas de Kane, apesar de ouvir muitos elogios também, não me chamou atenção ainda... Mesmo a sua resenha maravilhosa, mas já é um pré-conceito meu em relação a mitologia egípcia que eu não curto muito -slá porque-, daí né... rs' Mas se eu realmente amar de paixão o Herói Perdido, eu penso em pegar Crônicas de Kane! *-*

    Beijos, Nanda <3

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    1. Você tem que parar de elogiar minhas resenhas, uma hora essa fama vai me subir à cabeça, rsrs. Espero que você aproveite MUITO 'O Herói Perdido', é o meu livro favorito do Rick e mesmo que algumas coisas fiquem vagas ou em dúvida por não ter lido PJ, acho que o Gabriel pode te explicar, afinal, nós semideuses amamos falar sobre nossas histórias XD Qualquer coisa, te empresto 'A Pirâmide Vermelha' uma hora ou outra, seria perfeito para quem já leu OHP. Beijão (:

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  4. Adoro suas resenhas, ainda mais de um livro descrito com tanta paixão!
    Me sinto cada vez mais culpada por ainda não ter lido nada do tio Rick, mas pretendo resolver isso em breve. E mais uma vez, ótima resenha!Beijos!

    Camila - Meu Livro Cor-de-Rosa
    http://meulivrocorderosa.blogspot.com.br/

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    1. Muito obrigado, Camila, você é um amor! Não sinta culpa, converta isso em força de vontade para finalmente ler alguma coisa dele! Desejo-lhe uma ótima leitura, um beijão!

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