domingo, 13 de março de 2011

[Resenha] Júlio Verne - Viagem ao Centro da Terra

Júlio Verne
O que você acha de alguém que, no tempo em que viveu, previu coisas como a televisão, o submarino e as viagens ao espaço? Vidente? Profeta? Eu o chamo de escritor. Isso mesmo, es-cri-tor. Foi exatamente o que Júlio Verne fez. Você já deve ouvido falar dele, em seus livros escolares, o célebre autor e precursor da ficção científica. Certa vez ouvi falar dele, em um livro de português, que trazia um trecho de uma outra obra famosa; 20 Mil Léguas Submarinas. Fui fascinado por seu modo de escrita, que já no século XIX fazia sucesso. Agora imagine você, lançando um novo gênero literário, você esperaria tamanho sucesso? E esta é a introdução da resenha de um livro que te faz pensar se a Física, a Química e muitos outros estudos não poderiam explicar fatos que, para nós seriam totalmente irreais. E foi na biblioteca escassa do meu colégio que eu achei um exemplar deste livro, traduzido e adaptado por ninguém menos que Walcyr Carrasco.

Logo no primeiro capítulo conhecemos o narrador da história, o jovem Axel, morador de Hamburgo, na Alemanha, sobrinho do notável professor Lidenbrock, um especialista em mineralogia. O professor acaba achando uma relíquia de uma versão de um livro no islandês original na livraria da cidade, e ao folheá-lo frente ao sobrinho, um pergaminho lhe cai ao chão. No pergaminho havia escrito uma mensagem em runas – uma língua européia antiga – e depois de muito tentar, acaba solucionando o mistério, e o ex-código passa a ser um pequeno poema que dá instruções para se chegar ao Centro da Terra.

Saí do escritório do meu tio atordoado. Sentia febre. Fui caminhar, para me recompor. Seria possível chegar ao globo terrestre? Os argumentos do meu tio não passavam de especulações insensatas ou de deduções científicas brilhantes?
O professor fica atônito para realizar a viagem sobre o pretexto do texto ter sido escrito pelo reconhecido alquimista islandês Arne Saknussemm, embora a todo momento percebamos a tamanha insegurança de Axel. Ele não quer ir, acha tudo uma completa insanidade, teria que abandonar sua amada Graüben, a pupila de seu tio que morava na mesma casa com eles e que tanto o amava, e era recíproco. Mas antes que Axel pudesse mais uma vez incansável vez tentar mudar a cabeça de seu teimoso tio, este já estava preparado para partir para a Islândia, onde no vulcão Sneffels, em um momento do mês de Julho, um dos picos da montanha projeta sua sombra para a cratera certa e por ela eles podem entrar no centro da Terra, por mais louco que isso pareça a Axel.
- O professor enlouqueceu?
Só me restou confirmar com um movimento de cabeça.
- E vai levar o senhor, seu Axel?
Novamente fiz que sim.
- Pra onde?
Apontei o centro da Terra.
-Para a adega? – surpreendeu-me Marthe.
-Não, mais embaixo. Bem mais embaixo!

Ele torce por todo o caminho que evidências apareçam a fim de fazer o professor voltar atrás, mas nada disso acontece, e com a ajuda do hábil e quieto guia islandês Hans, eles acabam adentrando o vulcão “extinto”. Mas ninguém disse que o percurso seria fácil. Eles enfrentam a falta d’água, a agonia de andar em círculos por cavernas e corredores escuros, e até se perderam, onde pensamos que um dos personagens está prestes a morrer. Até essa parte a história foi tecnicamente monótona, não havia partes estimulantes que te fazem querer saber o que irá acontecer, só sabia que algo iria acontecer, sem saber quando e era essa curiosidade que me levou a continuar e esperar.

Após acordar do susto e muito mais disposto, o professor apresenta a Axel talvez a maior descoberta de sua vida e de toda a humanidade. Havia chegado a uma enorme, imensa caverna que mais parecia um mundo dentro do que conhecíamos. Um extenso mar, praia, nuvens, um tipo de sol artificial, cogumelos do tamanho de árvores e muito mais reforçam a ideia do quão Arne estava certo em deixar aquele código. Resolvem então atravessar o mar, acabar a viagem e por fim conhecer tudo, mas novamente; ninguém disse que isso seria fácil.

Então a jangada é construída por Hans e eles partem, começando uma nova aventura ainda mais arriscada e perigosa, com tempestades incessantes, monstros marinhos pré-históricos se engalfinhando, problemas físicos e meteorológicos e muito mais, que só pode acontecer em uma viagem ao Centro da Terra, onde a história se desenrola ainda mais na base de fracassos, perdas, aventuras, descobrimentos e momentos de breath-taking.

A leitura é fácil, e esta edição que eu peguei (clique aqui para vê-la pelo Skoob) tem citações ao lado que explicam termos numerados da obra, principalmente termos ligados à geologia, história e tudo mais ligado a isso. É uma verdadeira aula, mas não se preocupe porque nada é atirado sobre você para que você aprenda assim, de uma hora para outra. Aliás, são as discussões de teorias de Axel e do professor que nos situam na história, e acabamos por pensar como eles, e refletindo baseado naquelas afirmações científicas, o que é muito interessante.

- Tio, é impossível! A vida animal só surgiu na Terra nos períodos secundários, quanto o terreno sedimentar se formou pelos aluviões e substituiu as rochas incandescentes da época primitiva.
-Existe uma resposta simples, Axel. Este terreno é sedimentar.
-A esta profundidade?

A dinâmica dos personagens é algo bem intensa; temos o professor teimoso e rabugento, porém inteligentíssimo, o jovem inseguro, romântico e aberto à novas experiências e o calado estrangeiro preparado para todo tipo de situação num meio desconhecido. Essa base de escrita ajuda muito ao leitor, pois nos faz caracterizar mais em nossas mentes, suas roupas, seus gestos e isso é muito bacana, deixa tudo mais realista. Os cenários são detalhados na medida certa, deixando que você imagine o além disso tudo, pois afinal tudo se trata da pura imaginação. A história segue uma linha reta de objetivo, o que sempre deixa tudo em perspectiva, então a partir do momento em que eles entram no vulcão, não temos mais a sensação de estar rodando e rodando no mesmo lugar.

Tive a maior surpresa ao ver uma chama brilhar, iluminando o rosto calmo de Hans. Graças a sua habilidade, ele conseguira acender a lanterna, mesmo avariada.

Círculos de fogo que caem do céu durante uma incessante tempestade, o sol artificial, as nuvens, o vento mesmo não tendo entradas de ar suficientes, a maré mesmo não havendo lua, o tempo não mudar em certos momentos e por vários dias não escurece, tudo é explicado cientificamente, dando a obra um nível de veracidade estupenda, mal dá pra perceber que lemos uma ficção, uma fantasia! Tanto que, ao finalizar a leitura, fiquei com “a pulga atrás da orelha”, pensando se tudo aquilo podia mesmo ser verdade, e este é o ponto decisivo de um livro nos dias de hoje, onde o mercado literário está tanto concorrido: deixar o leitor pensando na história mesmo que já tenha acabado o livro.

Por mais que quisesse abandonar o livro no início pela sensação do tédio inerte, quanto mais eu lia mais eu queria saber qual seria o fim de toda aquela jornada fantástica. Vemos bússolas, barômetros, entendemos para quê serve cada um. É uma junção de uma aula de Física, Geografia, História, Química e Lógica em forma de livro. Outro ponto a se tocar é as condições de sobrevivência do ser humano, que é testada e superada a todo momento, onde ficam a base da mais básica refeição e de um único gole d’água em um dia, quando tem. Eu me doía pelo personagem, parecia que eu conhecia aquela dor, aquela fome, aquela saudade de casa.

Uma hora se passou. Sentia uma fome terrível. Meus companheiros também sofriam. [...] O calor aumentava. A temperatura devia estar a quarenta graus!

Eu gostaria que houvesse mais partes do romance de Axel e Graüben, por mais que isso comprometesse o caráter ficcional do livro, assim como gostaria de mais ação no começo monótono. A edição também não me agradou estruturalmente, as páginas são muito largas e os capítulos são muito mal distribuídos, uns tem muito conteúdo enquanto outros são de uma só página. Seria ótimo também ver uma ilustração na capa de cada capítulo que resumisse um pouco o que ali aconteceria, pois os desenhos de Laurent Cardon são realmente incríveis, mas muito poucos para uma história desse porte.


Apesar dos empecilhos, Júlio Verne criou um best-seller eterno que sempre passará de mãos em mãos deixando dúvidas sobre o que pode ser real, deixando também muitos sorrisos pelo humor da trama e olhos brilhantes diante de tanta criatividade, para prever coisas essenciais hoje em dia a três séculos atrás. Com o cérebro ainda maquinando (im)possibilidades, encerro esta resenha, espero que não tenha ficado exacerbadamente grande e se for o caso, por favor avise nos comentários. E com o pai da ficção científica, despeço-me deixando uma “simples” pergunta: seria possível a existência de um mundo dentro do nosso mundo? Por quê não?
Título: Viagem ao Centro da Terra
Autor: Júlio Verne
Editora: FTD
Número de Páginas: 186
Avaliação: 4 de 5
 
 
 
 
 

17 comentários:

  1. Óptimo resenha. Aconselho a visita ao blog www.jvernept.blogspot.com Cumps

    ResponderExcluir
  2. Poxa! Para uma biblioteca 'caída' a da sua escola está até muito bem. rsrs
    Sempre tive curiosidade de ler esse livro, mas até agora nada. =(
    Acredito sim que exista um mundo dentro do nosso. Por que não haveria? Adoro essas histórias que nos fazem viajar pensando no que poderia ou não existir de verdade.
    Parabéns pela resenha!

    Bjss*
    Gabi Lima
    http://livrofilmeecia.blogspot.com

    ResponderExcluir
  3. Adoro esse livro!
    Aliás, não só esse, mas quase todos do Júlio Verne. =)
    Ótima resenha! ^^

    ResponderExcluir
  4. Já li o livros pra escola e foi legal!!!

    ResponderExcluir
  5. Amo o livro *-*
    Um dos primeiros livros que li na vida !
    recomendo para todos rS
    adorei a resenha xD

    ResponderExcluir
  6. ameiiii o livro !!!! adoro esse tema

    ResponderExcluir
  7. Julio Verne;me fez viajar junto com ele nessa historia.
    Adoro ficçao cientifica e sem duvida recomendo o livro pra quem gosta desse tema!!
    obrigado-pela otima resenha!!

    ResponderExcluir
  8. Essa história me fez viajar junto com eles,,,,,,,, '_'

    ResponderExcluir
  9. Essa história me fez viajar junto com eles,,,,,,,, '_'

    ResponderExcluir
  10. tenho o livro de 94 ele e incrivel.

    ResponderExcluir
  11. eu quando li o livro também gostei muito,e um livro que deixa você com puga atrás da orelha no começo e entediantemente mais depois de umas partes fica legal e interessante mais e bom ler ele de qualquer jeito eu senti muita emoção de ler esse livro

    ResponderExcluir
  12. siim poderiia ter um mundo dentro do nosso mundoo,,,
    Eu não entendi muito bem .pois vc fala do livro e no meio do livro vc começa façar oque vc achou do livroo...
    bjs Ana

    ResponderExcluir
  13. Adorei sua resenha muito boa mesmo,fiquei fascinada quando assisti o filme e agora quero lê o livro,já li outro livro de Júlio Verne,( a volta ao mundo em oitenta dias) é muito fantástico não queria parar de lê um minuto, era instigante,fascinante.

    ResponderExcluir
  14. em que lugar as personagens sairam ao serem expedidas do interior da terraa?

    ResponderExcluir
  15. bruno florencio maluf12 de dezembro de 2013 19:48

    acho que na italia

    ResponderExcluir
  16. tens razao, no vulcao etna em sicilia

    ResponderExcluir
  17. ha uma parte menos legal e muito secante, mas depois fica emocionante

    ResponderExcluir

A sua opinião é mais do que bem-vinda aqui no blog. O único pedido é que você seja cortês ao expressá-la, evitando o uso de termos ofensivos e preconceituosos. Assim, todos poderemos manter uma discussão saudável e bastante proveitosa. Obrigado!