segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Palavras sobre palavras: tendência ou predisposição?

Pinned Image
Fonte: Pinterest
O mercado editorial mundial é visivelmente regido, em sua grande massa, por movimentos literários que verberam em todos os pontos de influência onde nós, os leitores, encontramo-nos. Sem muito esforço, notamos uma falta de variedade nos gêneros que rondam nossas possíveis leituras; seja nos blogs, no marketing das editoras, nas redes sociais e até mesmo na supervalorização financeira dada a certo segmento pelo fato de ser a experiência literária mais recorrente do momento. Um bom caminho para se compreender do que falo é acompanhar a seguinte a linha cronológica: bruxos, vampiros, fadas e, hoje em dia, erotismo.

O sucesso de um é a inspiração de muitos. Assim que J.K. Rowling consagrou-se como a escritora mais bem sucedida de todos os tempos, o burburinho ao redor do enredo de magia disseminou uma não tão notável sequência de livros que envolviam temáticas semelhantes, recheados de mundos mágicos com feitiços de toda sorte de dialetos. Isso não quer dizer que a própria mãe de Harry Potter não tenha se inspirado em outras obras, - como a própria já afirmou - mas o foco deste ponto de vista é a duvidosa existência das "tendências literárias". Uma necessidade momentânea de um estimular as vendas? Ou um mero êxito em se escrever sobre algo novo que os ledores "precisam", facilmente impactante?

O leitor, como consumidor, detém a chave para qualquer obra que venha a ser vanguarda de outros do mesmo teor. Entretanto, é improvável que esse mude tão drasticamente de modo a alterar as vias do comércio de livros. Todos nós possuímos preferências, gostos e apreciações; é isso que mais do que tudo nos torna únicos, porém, também temos uma proporção de aceitabilidade favorável. É comum encontrar leitores que leiam de cinco a dez livros por mês, onde oito deles são do mesmo gênero e para o mesmo público, o que não o impede de ler outros distintos e, no mês seguinte, ler sete similares a estes. Não mudamos e tendenciamos as guias do comércio literário, estamos abertos a novos e bons livros, há espaço para muitos e ainda mais que pouco terão em comum.

Se há multi-ocasiões de consumo levando os estabelecimentos a oferecerem uma abastada quantidade diversificada de produtos e serviços, - hipermercados, por exemplo - com os livros não seria diferente. A maioria dos jovens leitores não se limita a experienciar excludentemente os gêneros; eles passeiam repetidamente por aquilo que lhes é oferecido, conjecturando favoritismos e aversões, todavia, sem abrir mão de variar sempre que lhe convir. Pensando de modo abrangente, fica claro compreender o porquê das categorias literárias serem evidenciadas periodicamente, em uma reciclagem de exposição. Outra interpretação que abdica do conceito das tendências fundamenta-se na existência geral desta predisposição em ler basicamente "tudo", e que a propensão para cada tipo de leitura seja "ativada" de tempos em tempos conforme o aspecto, moldada de acordo com nossa personalidade. 

Por mais que não deseje ler certos volumes de uma dessas "ondas", - onde massas descobrem estimar  obras que nunca tenham resido em seus já conhecidos gostos - a curiosidade de saber o motivo de tanta falação é inegável. Esse é o espírito da coisa; crescer sem muito esforço próprio fazendo até os mais céticos abrirem mão pela vontade de saber do que se trata. As orientações são geradas pela modificação em grandes quantidades do que estamos lendo, de um tipo a outro. Somos contemporaneamente condicionados a não nos ater a determinados segmentos, vivenciando em muitas leituras cada um deles, mas sabendo que há todo um mundo de possibilidades nas páginas fora dali. E através da influência midiática e dos que nos rodeiam, damos o primeiro passo. A caminhada, porém, é por sua conta em risco.

5 comentários:

  1. Esse blog e seus autores por exemplo, são bem ecléticos!! (rsrs)
    Amo, vcs leem de um tudo, livros ditos de mulherzinha, aventura, clássicos... PARABÉNS!!
    Contudo, os modismos assim como alguns clássicos, claro que eu defendo muito, os clássicos. Porque os amo. Mas, tb um e outro pode ser ruim, mas um livro nunca pode ser mal escrito.
    Uma coisa que tenho pensado muito nos últimos tempos é, por exemplo: Li recentemente (A Visita Cruel do Tempo), romance moderno. Gostei muito da história em si, rica, mas principalmente porque a escrita era leve sem deixar de usar vocabulário rico, diferente.
    Os livros, no meu caso procuro isso tb. Sempre que posso leio c/ português de Portugal. Não podemos diluir nosso vocabulário é preciso almejar enriquecer.
    Quando era adolescente, já lia livros ditos difíceis, claro as vezes se fazia necessário recorrer ao dicionário. Nunca me importei.
    Leio de tudo, leituras infanto juvenil, escrita dita masculina (Philipe Roth)...
    Sou otimista, acredito que todos irão se apaixonar e cada vez mais ampliar seus gostos literários.
    Abç
    e boas leituras!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito obrigado! Creio que agora o blog só tenha a mim como autor e mesmo com o tempo curto, procuro ser exatamente como você falou, eclético. Sem dúvida, apoio a leitura de obras que, além do entretenimento, enriqueça o vocabulário do leitor; principalmente em tempos como os de hoje, onde nossa língua é hostilizada e saturada pelos dialetos virtuais. Ótimas leituras para você também, um beijão e volte sempre, é ótimo te ver por aqui ;)

      Excluir
  2. Caíque, achei o seu texto incrível e, em poucas palavras, você expressou um sentimento que também tem me afetado desde que se iniciou essa corrente absurda de livros de caráter erótico.
    Não que eu tenha uma aversão ao próprio gênero, mas a forma como ele vem se disseminando me torna extremamente cética em relação a tudo que se cria. Não é possível que os autores possam construir obras tão fantásticas num período tão curto e com enredos tão semelhantes. Creio que nessa busca por prestígio social e pelo dinheiro de cada dia, faltou a muitos dos autores (não generalizemos) criatividade, ousadia e estilo próprio.
    Hoje em dia, lê-se e escreve-se em função do outro. Se alguém que tiver um baita trabalho de marketing aparecer falando de caminhões, garanto que não faltarão pilotos por nossa literatura. haha
    Beijo!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Erotismo ainda faz parte de um tabu muito carregado e realmente a forma como vem sendo trabalhado, em meu humilde conhecimento, é de se reter poucas expectativas. Pergunto-me onde está a vontade de se escrever por prazer e de entregar o melhor para o leitor, algo criativo e especial que o faça amar a história, mas sem se inspirar demasiamente em outras obras ou visando, apenas, a fama e o dinheiro. Logicamente os autores devem almejar o sucesso de seus livros, entretanto, sem esquecer das bases e o bom senso. Obrigado por comentar, um beijão para você também!

      Excluir
  3. É o mundo da literatura não é mais o mesmo. AS vezes parece que é a mesma coisa em tudo que lugar e tem hora que você cansa. Quando chega um novidade vem aquele desastre ou pior a pessoa faz a mesma coisa que esta saturada. Bem deixando isso de lado cadê as novidades? Gostei da postagem e sem condições de fazer um comentário de sente.

    ResponderExcluir

A sua opinião é mais do que bem-vinda aqui no blog. O único pedido é que você seja cortês ao expressá-la, evitando o uso de termos ofensivos e preconceituosos. Assim, todos poderemos manter uma discussão saudável e bastante proveitosa. Obrigado!