segunda-feira, 20 de junho de 2011

[Resenha] James Dashner - Maze Runner: Correr ou Morrer

Uma história que tinha absolutamente tudo para dar errado, mas que, surpreendentemente, não poderia dar mais certo.

Thomas, um rapaz de quinze ou dezesseis anos, acorda dentro de um elevador sombrio em movimento, envolto por nuvens de poeira e pela escuridão total. O garoto espanta-se ao perceber que só consegue se lembrar do próprio nome, e de nada além disso. Thomas não faz ideia de quem são seus pais, assim como não tem a mais suave pista sobre de onde ele vem ou para qual local está sendo transportado. Nem em relação à sua própria idade o garoto é capaz de afirmar algo com convicção. Sem garantir a Thomas tempo suficiente para organizar seus pensamentos (ou compreender a ausência súbita deles), o elevador chega a seu destino, as portas se abrem e o rapaz, pela primeira vez, contempla o local onde toda a trama do livro se desenvolve. Bem-vindo à Clareira, Fedelho.
Estavam em um vasto pátio, várias vezes maior do que um campo de futebol, cercado por quatro muros enormes de pedra cinzenta, cobertos por uma hera espessa que se espalhava em manchas desiguais. As paredes pareciam ter mais de cem metros de altura e formavam um quadrado perfeito ao redor daquele espaço. Cada lado era dividido exatamente ao meio por uma abertura tão alta quanto os próprios muros e que, até onde Thomas conseguia ver, levava a passagens e corredores compridos que se estendiam a perder de vista.
Logo nos primeiros capítulos de Maze Runner, tive a impressão de que seria impossível, para o autor, conduzir uma trama de suspense e, simultaneamente, apresentar o seu leitor a todos os componentes do universo ímpar que fora criado. Contudo, surpreendi-me ao perceber que, ao final de pouquíssimas páginas, eu já me encontrava absolutamente familiarizado com a Clareira e com todos os detalhes da vida dos Clareanos. Acontece o seguinte: o espaço é ocupado por um bando de mais de quarenta garotos, e todos foram parar ali exatamente da mesma maneira que Thomas. Ninguém tem lembranças da vida pré-Clareira, a não ser a capacidade de dizer o próprio nome, e todos têm uma certeza inabalável correndo por suas veias: é preciso sobreviver.

Esse instinto de sobrevivência decorre de uma série de fatores assustadores relacionados à rotina daquele lugar: a Clareira é uma espécie de quadrado rodeado por um labirinto de extensão quilométrica. Os Clareanos têm acesso livre ao labirinto, com algumas simples ressalvas: a) durante o dia, desde que o indivíduo tenha perfeita noção do caminho que está percorrendo, é possível transitar livremente entre o labirinto e a Clareira; b) à noite, cada uma das quatro aberturas que levam ao labirinto se fecha: quem está do lado de dentro da Clareira, não sai até a manhã seguinte. Quem está do lado de fora, lá ficará preso e só poderá retornar quando as portas se reabrirem, na manhã posterior; c) À noite, quando as portas se fecham, o labirinto é infestado por criaturas sombrias e monstruosas, os chamados Verdugos, que possuem dezenas de braços e armas, e cuja picada pode trazer danos irreparáveis - ou, se um tratamento não for feito, a morte. Ah, e é claro, o desenho do labirinto muda todas as noites.
- Agora você sabe o que nos espreita no Labirinto, meu amigo. Agora você sabe que não é de brincadeira. Você foi mandado à Clareira, Fedelho, e estamos esperando que sobreviva e nos ajude a cumprir nossa missão.
- E qual é a nossa missão? - quis saber Thomas, muito embora esperasse aterrorizado a resposta. (...)
- Descobrir uma forma de sair daqui, Fedelho - disse Newt. - Decifrar o maldito Labirinto e encontrar o nosso caminho para casa.
Gosto do trabalho que o autor realiza com o tema do amadurecimento precoce. A obra é em terceira pessoa e não é chegada à reflexão (é tudo muito rápido, na verdade), mas as entrelinhas demonstram com clareza que todos aqueles jovens foram privados de uma vida feliz e normal, forçados a sobreviver em um lugar desconhecido, expostos a uma realidade assustadora, sem saber sequer se um dia serão libertados dali. Isso os obriga a amadurecer quase que de um dia pro outro, e a criar maneiras de manter a sociedade Clareana em ordem.

Assim, quando, a cada mês, um novo Clareano chega através do elevador (chamado, no livro, de Caixa), ele é em pouco tempo apresentado a cada uma das funções realizadas no local; o objetivo é descobrir a atividade na qual ele se sobressai, e depois torná-lo responsável por esta. Dentre outras funções, na Clareira há Aguadeiros, Embaladores, Ajudantes, Socorristas e Corredores. Estes últimos tentam, há dois anos, solucionar o labirinto. Achar uma saída. E, em dois anos, não conseguiram nada. É claro que, em uma situação como essa, prefere-se a morte à desistência.
- Beleza. Estamos todos divinamente inspirados - respondeu Newt, depois apontou por cima do ombro, na direção do Labirinto. - Todos conhecem o plano. Depois de dois anos sendo tratados como camundongos, hoje à noite tomamos uma decisão. Hoje à noite vamos reagir contra os Criadores, não importa o que precisemos fazer para chegar lá. Hoje à noite é bom que os Verdugos se cuidem. 
A ação propriamente dita começa um dia após a chegada de Thomas. Pela primeira vez, em dois anos, o alarme que anuncia a chegada de um Novato toca duas vezes no mesmo mês. Na mesma semana. Em um dia posterior ao da chegada de um Fedelho. Mais surpreendentemente ainda, dessa vez a Caixa não traz mais um garoto perdido e assustado: carrega uma garota adormecida, que segura fortemente um papel no qual são lidas as seguintes palavras sombrias: Ela é a última. Isso dá início a uma série de acontecimentos inesperados, a uma sequência frenética de reviravoltas apavorantes, e se torna impossível não ler o próximo capítulo. O livro começa de forma lenta, mas a chegada da garota altera radicalmente a rotina e o cotidiano da Clareira, levando todos os Clareanos a repensar seus conceitos e formas de agir em relação ao Labirinto e, sobretudo, entre si.

Maze Runner: Correr ou Morrer é uma história sensacional. Ainda que não seja explicitamente profunda, dá uma bela lição sobre a importância da coragem, do companheirismo e da união em situações de risco. A saga dos pobres garotos, afastados da vida de um adolescente normal, é absurdamente comovente, e eu em muitos momentos me peguei torcendo por eles, decepcionando-me quando eles se deparavam com um beco sem saída, ansioso para que eles se livrassem do tormento que os perseguia. O final desse livro me deixou com uma imensa vontade de ler os outros dois - parece que o segundo vem para o Brasil em julho - da trilogia, e acredito que é difícil terminar o livro sem sentir, no mínimo, falta de ar. O que, no início, pareceu-me uma obra com informação demais, volveu-se em uma trama angustiante, envolvente, inesquecível, quase apaixonante. E, por mais inverossímil que todas as bifurcações da Clareira possam parecer, a história soa real. Impressionantemente.
Thomas sentiu uma gota de coragem dentro de si - agarrou-a como pôde, aferrou-se a ela, desejou ardentemente que crescesse. Newt estava certo. Naquela noite eles lutariam. Naquela noite haviam tomado uma decisão, de uma vez por todas.

Título: Maze Runner: Correr ou Morrer.
Autor: James Dashner.
Editora: V&R.
Número de páginas: 428.
Avaliação: 5 de 5.

5 comentários:

  1. Olá, Robledo!!
    Fiquei bastante curiosa para acompanhar a história. Este livro me pareceu ser bem interessante e repleto de aventua. Já vou colocá-lo na minha lista de desejados!!
    Adorei a sua resenha!
    Bjos.

    Mariana Ribeiro
    Confissões Literárias.

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  2. Puxa, a um tempo atras eu tava com mais vontade de ler esse livro, mas recentemente perdi um pouco.. :/

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  3. Oi Robledo!

    Ainda não tinha lido nenhuma resenha sobre esse livro... mas já tinha visto ele por aí na blogosfera... Que bom que gostou da leitura! Esse livro me interessa muito! Achei o título super interessante!

    Não sabia que se tratava de uma série! ;)

    Beijos.
    Amanda - Lendo&Comentando

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  4. Já me indicaram esse livro também!
    Adorei sua resenha sobre ele, e mal posso esperar para conferir a história.

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